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Crédito: Divulgação/Warner
“A star is born”, em português “Nasce uma estrela”, é um filme cheio de ineditismos mesmo sendo a quarta versão de uma película originalmente lançada em 1937. A produção é marcada pela estreia da cantora Lady Gaga como protagonista nas telonas e pelo aparecimento de novas vertentes na carreira do ator Bradley Cooper, que assina o roteiro, dirige e canta parte das músicas, tudo isso de maneira inédita.

O enredo conta a história da relação entre o cantor de Country/Rock, Jackson Maine (Bradley Cooper), que vive uma fase ruim da carreira, e a jovem compositora e cantora Ally (Lady Gaga), que por problemas com sua aparência e autoestima nunca conseguiu progredir na carreira artística e acabou trabalhando num restaurante para pagar as contas. Os dois se conhecem quando Maine entra em um bar a procura de um drink e encontra a Ally performatizando La vie en rose, música imortalizada na voz da cantora francesa Edith Piaf. 

Jackson imediatamente se encanta pela mulher e por seu talento, decidindo acolhê-la debaixo de suas asas. Os dois começam a se envolver afetivamente e se apresentar de maneira conjunta. Com o passar da trama, acontece o que todo mundo espera. Ally começa a ter seu talento musical reconhecido e sua carreira acaba decolando.

Muito mais do que contar apenas a trajetória de sucesso e cair no estereótipo da gata borralheira que virou princesa, o filme traz a narrativa de uma história de amor entre dois personagens densos e com uma carga dramática muito forte. Os problemas de autoestima de Ally e os conflitos familiares de Jackson os tornam personagens palpáveis, diferentes do herói e da mocinha idealizados em muitos dos grandes musicais já produzidos por Hollywood.

As atuações dos dois protagonistas foram muito elogiadas pela crítica especializada, fazendo com que a indicação de Bradley Cooper e Lady Gaga para os prêmios de melhor atriz/melhor ator seja considerada por muitos como certa.

Além das interpretações, o filme se destaca pela qualidade de sua trilha sonora. Boa parte das músicas para a película foi composta para ser usada nas filmagens. E quem estava à frente deste processo? Eles mesmos! Bradley e Lady Gaga compuseram e cantaram as 19 canções inseridas em Nasce uma Estrela. A produção musical ficou a cargo de Lukas Nelson, filho do cantor americano Willie Nelson, que participa do filme como guitarrista da banda de Jackson Maine e do hitmaker Mark Ronson.

Ao sair do filme, que é arrebatador em diversos aspectos, a vontade de ir para um show da turnê de Ally e Jackson é bastante grande. Boa parte das músicas deve estar presente no novo álbum da Lady Gaga, mas a junção entre a interpretação dos dois atores – ou cantores – causa bastante impacto e faz com que a construção narrativa da obra conquiste mais do que a versão com Barbra Streissand e Kris Kristofferson, lançada em 1976, ou a versão mais amarga – até meio sombria – de 1954, estrelada por Judy Garland.

Porém, nem tudo são flores. Apesar da boa história, que prende desde o início e impressiona pelo poder das letras das canções, o filme possui alguns defeitos. O mais latente deles é a disparidade de papéis de importância entre os protagonistas. A história de Jackson acaba por engolir a trajetória de Ally do meio para o fim do filme. Seus conflitos a partir do sucesso dela passam a sufocar o destaque que deveria ser dado à carreira da cantora. Em alguns momentos, para criar essa tensão dramática, o diretor Bradley Cooper exagera na captação de expressões que se repetem do protagonista em detrimento de uma desqualificação do sucesso de Ally, que ao seguir carreira solo, passa a trabalhar apenas com letras rasas e focadas em performances de dança.

O filme alça os dois protagonistas a novos patamares na carreira. Cooper, que era um dos atores queridinhos de Hollywood, se apresenta de maneira sólida como ator e cantor, além de impor respeito como um diretor promissor em seu primeiro filme. Gaga, por sua vez, desempenha muito bem sua primeira ‘mocinha’ em um drama com sequências bastante complexas e entrega performances vocais afastadas de sua zona de conforto, que é o pop, indo muito bem interpretando canções que vão do country ao rock, passando pelo blues.

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