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Foto: Divulgação/Williams
Mais de oito anos depois, Robert Kubica estará, finalmente, de volta à Formula 1. O polonês foi anunciado como novo piloto da equipe principal da Williams, onde já estava como piloto de testes. A última corrida de Kubica na principal categoria do automobilismo mundial foi em novembro de 2010, em Abu Dhabi, na mesma prova que garantiu o primeiro título de Sebastian Vettel na F1. Naquele dia, correndo pela Renault, ele largou em 11º e chegou na quinta posição.

Visto como um piloto promissor e sendo especulado como futuro piloto da Ferrari, ele teve que parar sua carreira durante alguns anos por causa de um acidente em um rali na Itália, em fevereiro de 2011. Depois de muitas fraturas, cirurgias e meses de internamento, Kubica só voltou às pistas dezenove meses depois, em mais um rali italiano. Naquela época, médicos disseram ser impossível um retorno à Formula 1, por causa da perda de mobilidade na mão direita, que só permitira que o piloto competisse em categorias menos exigentes.

Contrariando as expectativas, o retorno à F1 ocorreu em junho do ano passado, quando a Renault, escuderia pela qual ele correu a temporada 2010, o chamou para uma série de testes. Ainda naquele ano, ele foi chamado para mais testes na Renault e na Williams, alcançando resultados interessantes. Com a aposentadoria de Felipe Massa na escuderia inglesa, o jovem russo e bem patrocinado Sergey Sirotkin foi anunciado como seu substituto, e Kubica se tornou piloto de testes oficial.

Àquela altura, a Williams já dava sinais que estava voltando a perder força. Antes da chegada de Massa, a equipe eneacampeã de construtores e hepta de pilotos, vinha de uma nona posição, com apenas cinco pontos na temporada 2013. O brasileiro chegou na reconstrução da escuderia e formou dupla com Valtteri Bottas, hoje na Mercedes, nos três anos mais vitoriosos da Williams desde 2004. Na despedida de Massa, em 2017, ele correu ao lado do estreante canadense Lance Stroll. A equipe terminou na mesma quinta posição da temporada anterior, mas com Massa tendo um dos piores anos de sua carreira e Stroll indo até bem, mas muito longe dos números de Bottas.

Nesse ano, Stroll está em 18º e Sirotkin é o último dos 20 pilotos do grid. A Williams é a pior equipe do torneio com pouco mais de um quinto dos pontos da nona colocada, Toro Rosso. Essa será a primeira temporada que a Williams fica na última posição entre as equipes e sua pior colocação desde a atípica F1 de 1976, que teve 21 equipes correndo. A Williams realmente aparenta precisar de um novo Felipe Massa para reformular a escuderia, depois de montar uma dupla de acordo com os maiores patrocinadores provar ser uma estratégia furada. O patrocínio de Sirotkin girava na casa dos 15 milhões de euros, cerca de 85% do valor que a Williams deve perder em premiação para a próxima temporada, se os valores repassados pela FIA forem mantidos.

Para 2019, Kubica já foi anunciado como novo piloto titular da Williams, ele correrá ao lado do estreante George Russel, inglês que já garantiu o título da Formula 2 dessa temporada com duas corridas de antecedência. Russell tem 20 anos e faz parte do programa de jovens pilotos da Mercedes, que também distribuirá os motores para a escuderia inglesa. A nova dupla tem traços similares à formada por Massa e Bottas.

O brasileiro e o polonês chegam à Williams como pilotos experientes, que já não alcançam temporadas de destaque desde um acidente anos atrás. Depois de um acidente sofrido em 2009, Massa nunca mais alcançou uma vitória ou uma boa colocação no mundial nos quatro anos de Ferrari. Já Kubica tinha conseguido uma quarta e uma sexta posição em uma escuderia de porte médio, a BMW, e conseguiu reestruturar a Renault após uma temporada muito ruim com Fernando Alonso. Enquanto isso, Bottas também chegou à Williams como campeão de uma categoria inferior, a GP3, com a diferença apenas de ter uma temporada de estreia antes do sucesso.

Robert Kubica é, sem dúvidas, uma aposta. Oito anos sem participar da Formula 1 deixam em dúvida sua capacidade de recuperar a Williams, apesar de ele ter um bom histórico. Pilotar ao lado de uma grande promessa do automobilismo também ajuda, apesar de que manter Lance Stroll, apostando na sua recuperação, também poderia ser válido. A escuderia inglesa está deixando no passado seu histórico de títulos e amarga um presente inconsistente e um futuro questionável, mas dentro das apostas possíveis, 2019 pode ser um ano de recuperação.
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