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Depois de dezessete temporadas, Fernando Alonso deixou a Formula 1. Acho que não é exagero dizer que o piloto teve uma das carreiras mais subaproveitadas da história da categoria, passando pelas equipes certas, mas quase sempre na hora errada. Não por menos, o piloto, considerado um dos melhores de sua geração e até da história, deixa as pistas com apenas dois títulos mundiais e sem subir ao pódio há mais de quatro temporadas.

Talvez Alonso não tenha tido uma carreira condizente com sua habilidade no cockpit. Após uma breve passagem sem pontos na pequena Minardi, o espanhol chegou aos 21 anos na equipe onde viveu suas melhores temporadas, a Renault. Pela escuderia francesa, se tornou o piloto mais jovem a garantir uma Pole Position e a vencer um Grand Prix. Seu primeiro título veio em 2005, quebrando uma hegemonia de cinco anos de Michael Schumacher, que nunca voltaria a ser campeão. O segundo troféu de Alonso viria no ano seguinte, mas ninguém poderia imaginar que seria último do bicampeão de 25 anos.

Logo depois que faturou o título, Alonso trocou a Renault pela McLaren. Lá, foi preterido pelo promissor estreante Lewis Hamilton, com melhor carro e estratégias favoráveis. Mesmo em condições adversas, Alonso ficou em terceiro no mundial, com a mesma pontuação do atual pentacampeão, e a apenas um do vencedor de 2007, Kimi Räikkönen. Sem dúvida, a equipe certa, mas na hora errada.

De volta à Renault no ano seguinte, Alonso viveu o extremo oposto da McLaren. Alonso era tão priorizado, que o chefe da equipe, Flávio Briatore, mandou o segundo piloto, Nelsinho Piquet, bater em uma muleta para que a bandeira amarela beneficiasse o espanhol. Ele venceu a prova, mas quando o fato veio à tona, foi o fim das carreiras de Briatore e Piquet na F1. Ali também começou o processo de desmonte da Renault, que foi vendida em 2009, e ficou fora da Formula 1 entre 2011 e 2015. Mesmo com uma temporada de retorno razoável, o escândalo manchou a segunda passagem pela Renault. A desestruturação da equipe atrapalhou seu desempenho em 2009, a partir da qual, o carro ganhou uma importância maior que os pilotos, com o título ficando sempre com as equipes com uma engenharia mais desenvolvida. O grande carro da Brawn GP garantiu o título para o intermediário Jenson Button naquele ano.

Chegando na Ferrari em 2010, Alonso viveu uma das piores fases históricas da escuderia italiana. Foram cinco temporadas, com três vice-campeonatos. Na temporada de despedida, em 2014, Alonso ficou com a sexta posição, ínfima para um primeiro piloto ferrarista. A Ferrari já vinha em má fase desde o acidente com Felipe Massa, em 2009, mas atingiu seu pior nível em 2014, quando Alonso só conseguiu dois pódios e a maior equipe da F1 ficou apenas em quarto, sem nenhuma vitória.

Deixando a equipe de Maranello, Alonso retornou para uma antiga casa, a McLaren, oito anos depois da conturbada primeira passagem. A equipe estava um pouco desencontrada após a saída de Lewis Hamilton para a Mercedes, dois anos antes, e não foi feliz com Sergio Perez ou Kevin Magnussen como substitutos, mas, ainda assim, vinha de temporadas medianas. A chegada de Alonso ocorreu junto à troca da fornecedora de motores. Saía a Mercedes, que acabara de ganhar o primeiro título de uma sequência que dura até hoje, entrava a Honda,  que estava fora da categoria desde 2008.

O tempo longe fez falta, a Honda levou anos para acertar na unidade, que de confiável não tinha nada. Enquanto isso, a McLaren de Alonso mais quebrava que pontuava. Nisso, o piloto acabou se tornando meme em duas situações do fim de semana do GP do Brasil de 2015. A primeira, nos treinos livres da sexta, quando, após o motor quebrar, o espanhol espera cabisbaixo a chegada do carro para buscá-lo. No dia seguinte, com mais uma quebra, Alonso se sentou em uma cadeira e tomou um banho de sol enquanto assistia os treinos classificatórios de uma posição mais privilegiada.
Foto: Divulgação/Twitter
Nos três anos com a Honda, a McLaren chegou a ser nona colocada duas vezes, e Alonso passou a brigar apenas por pontuação, o que não condizia com o maior salário da categoria ou o status, dado por alguns, de melhor piloto do grid. Sua insatisfação era inegável e coerente e levou o piloto a correr provas como as 500 Milhas de Indianápolis de 2017, que liderou até ter problemas mecânicos, e as 24 Horas de Le Mans de 2018, vencida pela equipe do espanhol.

Neste ano, a McLaren trocou novamente de motores, agora para a Renault, mas isso não bastou para melhorar o rendimento da equipe, sexta colocada do mundial. Alonso foi o décimo primeiro piloto da competição, o que mostrou que os problemas do chassi da McLaren iam muito além da unidade de potência. E mais uma vez, Alonso estava em uma equipe tradicional que vivia um caos histórico. 

Antes de anunciar sua aposentadoria, no meio desse ano, Alonso vinha sendo especulado em várias equipes para os próximos anos, desde um retorno à Ferrari, até uma ida à pentacampeã Mercedes. Agora, não poderemos mais saber como seria a ida do espanhol a essas equipes, talvez elas também se tornassem a equipe errada, pode ser um azar que acompanha o piloto; ou talvez ele conseguiria o seu tricampeonato mundial, já em idade bem avançada, reforçando o seu posto como um dos maiores pilotos da história. Mas tudo ficará no campo da especulação, Alonso já fez testes em carros da Indycar e da NASCAR, mas nega temporadas completas nessas categorias, agora é esperar para ver o que o futuro reserva.
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