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O The Empyrean é, para este que vos escreve, o auge de John Frusciante como guitarrista. Foto: Reprodução

John Frusciante é um músico norte-americano de descendência italiana. Ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, onde gravou sete álbuns, ganhou toda a sua fama pelo período na banda de funk rock. John saiu dos Peppers em 2007 e tem sua falta sentida até hoje pelos fãs. Conhecido pelo seu estilo melódico, que ganhou um destaque maior ainda na sua segunda passagem pela banda, Frusciante faz um trabalho diferente do comum. Um artista que se permite experimentar e se libertar de técnicas convencionais e pré-determinadas, tanto que em sua carreira solo lançou 14 álbuns e EPs. Um deles, o que considero ser o seu melhor trabalho, é o The Empyrean. Lançado em janeiro de 2009, é o primeiro disco após sua saída em definitivo do Red Hot Chili Peppers. Contando com as participações de Josh Klinghoffer (seu substituto na banda) e Flea, baixista do RHCP, além de Johnny Marr, ex-guitarrista do The Smiths.

Em sua versão standard, o disco possui 10 faixas e já faz uma correlação temporal entre suas faixas inicial e final, Before the Beginning e After the Ending (Antes do Começo e Depois do Fim, em tradução literal). A primeira, unicamente instrumental e com mais de nove minutos de duração, dá a ideia de que é uma abertura do processo criativo para a construção da obra. Marcada por uma batida da bateria que perdura toda a faixa e uma guitarra melódica, ambas dão uma ideia de fluidez, da existência de uma conexão no caminho musical em que o instrumento segue, sendo essa uma característica inerente a John Frusciante. O álbum continua como uma “montanha russa” tanto na sua vocalidade, começando de maneira mais calma e depois “soltando a voz”, quanto na instrumentalidade. São músicas bem diferentes umas das outras, mas que saem de calmarias e passam por terrenos mais agitados.

Como o próprio Frusciante fala em entrevista sobre o álbum, ele o criou querendo passar a sensação de transcendência e existencialismo que ele sentiu ao fazê-lo. A sua linha instrumental segue muito bem esse sentimento que ele tenta transmitir. Um exemplo bastante peculiar nessa questão são os solos – não somente de guitarra, mas também de outros instrumentos dos convidados. Eles têm um poder forte de reter a atenção e trazer a concentração do ouvinte para a faixa, criando uma ligação espiritual, segundo o próprio John, que sentia o mesmo ao produzir cada música.

O ponto alto do álbum é Central. A oitava canção da obra possui toda a característica de transcendência que o músico buscava. Vocal marcante que traz toda a melancolia de Frusciante, porém com um ânimo crescente, de alguém que vai juntando forças e crescendo com o instrumental. Esta tendência vai pouco a pouco assumindo a sonoridade toda da música, abafando a voz do cantor. Vejo tal ação como um fechamento para essa busca pelo mundo espiritual que inspira o músico. É um transporte da dimensão física para algo que só a música pode te levar, viajando em acordes, melodias e belíssimos solos. Conforme o fim da música vai chegando, você aterrissa no chão, de maneira gradativa através da presença dos violinos e do teclado. Uma verdadeira viagem que apenas a música serviu como passaporte para seguir nela e ser trazido de volta ao lugar em que se estava. A barreira entre os mundos foi quebrada.

Na finalização do álbum, a voz suave e melancólica de John se faz presente em After the Ending, da qual o artista “se despede” de todo o processo de criação da obra e completa o ciclo no qual The Empyrean trafega. Assim, a ligação que foi sendo criada com o desenrolar do álbum, vai se findando de maneira mais abrupta do que foi a chegada ao seu ápice.

É um disco que retrata toda a genialidade e capacidade que John Frusciante tem como músico, fisicamente e espiritualmente falando. Para os fãs do trabalho dele, é bastante fácil acontecer uma afinidade logo na primeira vez que se ouve. Algo parecido surge para os que desconhecem, mas curtem músicas com toques psicodélicos. Há uma atração da qual John sabe fazer para o seu público e conseguiu aplicar muito bem no The Empyrean.

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