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Foram três anos batendo na trave, mas, depois de muito esforço, o Sport conseguiu sua vaga na Série B. A história desse rebaixamento é longa, nada foi por acaso, e chega no ano em que o Sport menos poderia cair em toda sua história.

2016

O trajeto começou em 2016, quando o Sport, tentando espelhar a grande temporada de 2015, gastou mais do que deveria, comprometeu as finanças do clube, falhou no planejamento, formou uma equipe fraca, mas conseguiu se manter na Série A. Nada expressa mais o caos que a primeira coletiva da temporada, com a apresentação do lateral-esquerdo Christiano, dos volantes Serginho e Luiz Antônio e do zagueiro Luís Gustavo, todos deixaram a equipe durante o ano, sob muitas críticas.

Aquele foi um ano de grandes investimentos que nunca renderam como deveriam, como Mark González e Reinaldo Lenis - que deve voltar para 2019. Também não houve felicidade nos - caros - treinadores que passaram pelo clube em 2016, Paulo Roberto Falcão e Oswaldo de Oliveira. Ao fim, os gols do artilheiro Diego Souza, as grandes atuações de Rodney Wallace, Magrão, Rogério e Everton Felipe pesaram mais e salvaram o Sport, comandado, ali, por Daniel Paulista. A vaga para a Sul-Americana ainda caiu de graça no colo.

Foto (Reprodução/Twitter)


2017

Em 2017, a situação se agravou. Arnaldo Barros assumia ali, e só isso já expressa o tamanho do problema. A promessa de jogar o Nordestão com um time e o Pernambucano com o time B - comandado por Daniel Paulista - foi por água abaixo quando o ex-volante foi efetivado. Daniel não vingou, Ney Franco o substituiu após uma temporada longe do futebol, mas o discurso de cursos nos EUA, logo virou boato de serem cursos de inglês. Do mês no comando da equipe, ficou a final da Copa do Nordeste, cuja derrota rendeu acusações de boicote e a desrespeitosa demissão no vestiário da Fonte Nova.

André foi caro, mas se pagou com gols. Rogério foi mais caro ainda, mas quando o empréstimo virou contratação, parou de render. Caro mesmo, foi Luxemburgo, que pegou briga com a equipe e insistiu na titularidade do improdutivo Wesley, mais um caro, que marcou o fim do rendimento do Sport. A diretoria ficou do lado de Luxa e, mesmo assim, o demitiu pouco depois. Também pegaram briga com Diego Souza e abriram mão da Copa do Nordeste, o que ninguém entendeu ainda.

Pelo menos, o Sport ganhou o Pernambucano, mas as condições pífias do campeonato, finalizado no meio do Brasileirão e sob acusação de roubo na final, tiraram toda a importância do título. Mais uma vez, o comando caiu no colo de Daniel Paulista e a permanência chegou na última rodada. Méritos para André, Diego Souza e Patrick. Desméritos para a diretoria, que além disso tudo, voltou a atrasar os salários na Ilha do Retiro após anos.

2018

Nesse ano, o amor que o Arnaldo tinha pelo Sport era pouco e se acabou. As saídas de Diego Souza (SP), Rithely (Inter) e André (Grêmio) vieram no início do ano, através de negociações conturbadas. Até hoje, há turbulência na venda de DS, por causa de um acordo antigo com o Fluminense. Os empréstimos de Samuel Xavier (Atlético/MG), e Reinaldo Lenis (Atlético Nacional/COL), a venda de Everton Felipe (São Paulo) e a liberação de Henriquez (Vasco) marcam como o Sport abriu mão de salários altos para remontar o clube.

A volta de Nelsinho era claramente um erro. Em 15 minutos, o Ferroviário/CE marcou três gols e eliminou o Sport na segunda fase da Copa do Brasil com a maior premiação da história. As situações se seguiram, a saída do polêmico Juninho, a volta do polêmico Guilherme Beltrão, a polêmica saída de Nelsinho Baptista, lavando a roupa suja de 10 anos. A goleada para o América/MG na estreia do Brasileirão queimou Agenor e permitiu as primeiras chances de Mailson.

Claudinei Oliveira assumiu, o time disparou para a vice-liderança, mas puxou o freio de mão depois da Copa, quando Anselmo deixou o Leão. No meio da sequência de onze jogos sem vencer, Claudinei pediu as contas e Eduardo Baptista voltou ao comando, poucos meses depois daquelas roupas lavadas pelo pai. Com Eduardo, o Sport voltou a vencer, curiosamente, contra o Paraná de Claudinei, mas ele só durou oito jogos.

O afastamento de Michel e Fellipe - os "irmãos" Bastos - sinalizavam uma crise no ambiente do clube. A saída de Eduardo, veio junto à troca da diretoria, Milton Mendes assumiu. Os Bastos foram reintegrados, Juninho ganhou uma segunda chance. Quem imaginaria que - o tido louco - Milton Mendes arrumaria o ambiente de algum time? A melhora de rendimento parou nas rodadas finais e o Sport não conseguiu se salvar dessa vez, apesar dos destaques Mailson, Adryelson, Matheus Gonçalves e Jair, os dois primeiros jovens pratas da casa, o dois últimos contratados como aposta.

E no fim?

Os 42 pontos na Série A parecem um grande feito para a não planejada equipe de Arnaldo Barros. Os salários estão atrasados há três meses. O déficit do ano passado ainda pesa, com adiantamentos de cotas e acúmulo de dívidas, apesar de pelo menos, quatro vendas milionárias na temporada. O cenário, porém, ainda pode ser muito pior. 2018 foi o último ano do esquema de cotas televisivas no Brasileirão, o Sport era um dos cotistas, ganhava mais dinheiro, mesmo indo para a Série B. Agora não é mais assim, a cota fixa de R$35 milhões, ganha nos últimos anos, deve cair para cerca de um quinto disso. A premiação dessa Série A também será zerada, já que os rebaixados não ganham nada. 

A 12ª Série B do Sport será a mais financeiramente equilibrada em décadas, além de contar com outros clubes grandes como Vitória, Ponte Preta e América/MG e dois outros campeões brasileiros, Coritiba e Guarani. Toda essa situação econômica garantia a permanência para a Série A de 2019 como a mais importante da história do clube. Esse sentimento ficou evidente na torcida. Ao fim do jogo contra o Santos, os gritos de "ei, Arnaldo, vai tomar..." ecoaram na Ilha do Retiro, além disso, poucas horas após o fim da partida, o nome "Arnaldo Barros" figurava nos trendig topics do Twitter, e as mensagens não eram muito amorosas. A sensação é de que, em dois anos, o Sport encolheu, perdeu todo o profissionalismo e relevância nacional que havia ganho nos três anos anteriores, quando ameaçava uma consolidação no front dos clubes médios do país.

Agora, ao Sport, restam as eleições, realizadas ainda nesse ano, com grande possibilidade de uma vitória de uma chapa oposicionista apenas pela segunda vez na história leonina. Vale lembrar que, na única vez que isso aconteceu, o Sport foi campeão brasileiro, se é coincidência ou não, é esperar para ver.
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