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Foto: Reprodução/Facebook Vox Espanha

Os resultados das eleições regionais na Andaluzia, uma comunidade autônoma de Espanha, confirmaram as expectativas de vitória do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), mas sem maioria no parlamento local. Os socialistas tiveram o seu pior resultado de sempre nesta região, considerada feudo do socialismo espanhol. Esta queda na votação pode levar, pela primeira vez em 36 anos, o PSOE perder o poder por lá por causa de um partido pequeno. 

Para termos uma ideia do que isso significa, se a hegemonia do PSOE chegar ao fim, seria algo como o Partido dos Trabalhadores (PT) perdesse o Nordeste brasileiro para a direita motivado pela votação do Partido Social Liberal (PSL) em 2018 — o que pode vir a acontecer nos próximos anos se o PT resistir em não fazer uma autocrítica. 

O partido de direita que levou a esquerda a perder a maioria no parlamento andaluz foi o  Vox, uma agremiação de extrema-direita, que age no maior estilo bolsonarista. O Vox entra com 12 deputados no parlamento, para a surpresa dos maiores analistas políticos do país e de Andaluzia — e também do próprio Vox.  Agora, o mapa político nesta comunidade autônoma foi reconfigurado e tudo o que se levava em consideração para uma boa análise política parece também precisar de uma atualização.

O Vox foi criado em 2013 e, ao menos no discurso, se propõe a dar voz aos espanhóis desoluidos e desencatados com a política. Assim o partido espera transformar a indignação num capital político, algo que muito se assemelha com o método usado pelo agora presidente eleito Jair Bolsonaro para ascender ao poder. O Vox e o PSL/Bolsonaro têm estratégias de retórica semelhantes. Se dizem outsiders. Afirmam ser contra o sistema, colocando a já famigerada nova política como única forma de enfrentar a renovada velha política, que ganha a pecha de corrupta e fisiológica. Assim como "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos", slogan e nome da coligação que elegeu Bolsonaro, o Vox não apresentou propostas programáticas, nem conteúdos concretos, se baseando apenas na exaltação nacionalista."Espanha grande de novo" e "Deus abençoe a Espanha" são exemplos disso.

Nem é preciso falar que a legenda espanhola também é antiglobalista, acredita em Marxismo cultural, no cidadão de bem com direito a matar bandidos. Grita que feminismo é doença. Tem medo do 'perigo comunista' representado, segundo o Vox, pelo Podemos (não o imitão brasileiro), que pode transformar a Espanha em uma Venezuela — isso lembra algo? Pelo visto, a Venezuela é maior do que realmente é. A nova URSS. 

Querem se surpreender mais? Sabe qual a profissão do líder andaluz do Vox? Pasmem, ele é juiz e diz que não é político. Não sei se Moro fez escola com ele ou ele fez escola com Moro, ex-juiz federal que será ministro da Justiça e Segurança Pública. Assim como no PSL, a maior parte dos novos deputados do Vox é de ex-militares e ex-policiais. 

Seguindo o exemplo de Bolsonaro, os Voxistas agridem a imprensa e curtem polemizar nas suas declarações. Eles se dizem contra o discurso do politicamente correto, talquei? Isso poderia ser um meme: separados por um Atlântico.

Assim como o antipetismo de direita se fortaleceu no Brasil a partir das eleições de 2016, essa eleição dará condições ao Vox para se projetar como força realmente forte para as eleições nacionais da Espanha que devem acontecer em 2019 diante da perda de governabilidade do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez (PSOE). Se a esquerda espanhola seguir o exemplo dos companheiros do Brasil, a direita de lá chegará forte ao poder como chegou aqui.
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