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Foto: Reprodução/Twitter @MarceloFreixo
O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se lançou à Presidência da Câmara dos Deputados a fim de tirar Rodrigo Maia (DEM-RJ) da segunda cadeira na linha sucessória do cargo mais importante do Brasil. Freixo é conhecido por suas posições mais à esquerda, afinal de contas, ele é do PSOL. Além dos deputados do RJ, já se lançaram na disputa o atual vice-presidente da Câmara e do Congresso Nacional, deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) e o alagoano JHC (PSB). Outro parlamentar de Alagoas também é cotado na corrida pela presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP). Com tantos nomes, se formaria, certamente, uma confusão em busca do apoio das legendas de situação e oposição.

Com Maia, oficialmente já estão DEM, PPS, PR, PSDB, PTB, PRB, SD e PSL. Este último partido, do presidente Jair Bolsonaro, é o partido mais importante, até o momento, no arco de alianças do atual presidente da Câmara. Para garantir a força política do PSL, Maia fez o já conhecido “toma-lá-dá-cá”. Em acordo com o presidente nacional dos peesselistas, Luciano Bivar (PE), Rodrigo Maia prometeu ao partido, que tem 52 deputados eleitos, as presidências das Comissões de Constituição e Justiça (CCJ), de Finanças, além da segunda-vice-presidência da Câmara.

Sem o poder político do democrata nas mãos, Freixo — que tende a ser um excelente parlamentar — larga bem atrás e se torna inviável para todo campo democrático — vulgo esquerda. Digo isso porque apoiar o deputado do PSOL agora é se isolar politicamente. Com a possibilidade de a maior legenda de direita do país assumir postos chaves no legislativo, declarar voto em Marcelo Freixo é tirar a esquerda a garantia de maiores espaços nas comissões da casa. Como já disse a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de PE, Luciana Santos, “a pior coisa que a esquerda pode ter agora é se isolar, a pior estratégia que se pode ter é o isolamento.”

Queiram os idealistas de esquerda ou não, Freixo não representa uma opção para esquerda. Justamente porque não representa uma base mais ampla. Justamente porque é purista. Justamente porque isola a oposição. Como combater as mediocridades do novo governo se não tiver espaço no legislativo? O PSOL, ao lançar a candidatura de Freixo e cobrar publicamente o apoio dos outros partidos de esquerda, se torna irresponsável com o país. Está na hora do partido deixar de lado o purismo pelo bem do campo popular.

Sinceramente, quem seguir o PSOL nesta aventura estará sendo igualmente irresponsável. Gostemos ou não de Maia, ele é, pelo menos por enquanto, o único nome posto com capacidade de garantir espaços para a esquerda. Para ter uma atuação programática durante os próximos quatros anos é preciso que antes se tenha uma atuação pragmática nessa próxima eleição da Mesa Diretora. Ou apoia Maia ou cria um amplo bloco com MDB e PP unidos ao PDT, PT, PSB e PCdoB capaz de indicar membros e presidentes de comissões. Fora dessas opções, não há salvação para a esquerda.

Apoiar Freixo é isolar a esquerda no Parlamento e deixar o campo popular inviável para defender o Brasil e seu povo, porque fica sem espaço.
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