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(Foto: Divulgação/Netflix)

Lançada em 26 de outubro de 2018 Chilling Adventures of Sabrina, ou Sabrina para os mais íntimos, série de terror sobrenatural elaborada pela Netflix, vem recebendo críticas bastante positivas em relação a construção da série. Desenvolvida por Roberto Aguirre-Sacasa, o remake da série dos anos 1990 é baseado numa série de quadrinhos, com o mesmo nome, lançados em 1971 - mas a primeira aparição da meio-bruxa foi em 1962, na edição 22 da revista Archie’s Mad House. A série é produzida pela Warner Bros. Television, em associação com a Berlanti Productions e a Archie Comics. Roberto Aguirre-Sacasa e Greg Berlanti são os produtores executivos, ao lado de Sarah Schechter, Jon Goldwater e Lee Toland Krieger.

A primeira temporada da série conta com 10 episódios e foi originalmente planejada para ser companheira da série de televisão Riverdale. No entanto,  projeto foi transferido para a Netflix com um pedido direto e com duas temporadas encomendadas. A série conta a história de Sabrina Spellman, uma adolescente prestes a completar 16 anos, que tenta conciliar sua dupla natureza sendo meio-mortal e meio-bruxa enquanto luta contra ameaças que comprometem a ela, sua família, amigos e o “mundo da luz”, habitado pelos humanos.

A série, muito diferente do seriado Sabrina - Aprendiz de Feiticeira (1996), tem uma pegada muito mais sombria, que é a proposta do produto. Ou seja, se você está pensando em ver uma versão atualizada do seriado dos anos 90, sinto informar que hoje não, Faro. O produto é bem focado na parte tenebrosa da história: feitiços em latim, possessões, projeções astrais, o próprio Dark Lord - ou mochila de criança - é representado de uma forma real e levemente assustadora, para quem não tem conhecimento da figura.  O satanismo representado na série, em alguns momentos, mais parece um catolicismo contrário, com frases tipo “ai meu Satã” no lugar de “ai meu Deus”, o que pode ser visto como uma tentativa de trazer comédia para o ambiente nebuloso que é a cidade de Greendale.

O audiovisual da série é muito bom e tem um papel importante na criação desse clima sinistro em Sabrina. As lentes com bordas distorcidas, utilizadas em muitos momentos, dão um ar de magia na série e as cores mais fechadas ajudam na composição desse ambiente misterioso que é a cidade. Em relação a narrativa de Sabrina, na maioria dos episódios, chega a ser bem procedural. Em alguns episódios aparecem monstros ou mistérios que precisam ser resolvidos, mas que auxiliam na construção do episódio final e da própria personagem. Sobre o elenco, só posso definir em uma palavra: sensacional. Kiernan Shipka, atriz que dá vida a Sabrina, interpreta a personagem de um jeito particular e que casa muito com a narrativa. Shipka já afirmou em entrevista não ter assistido o seriado dos anos 90 para não tomá-lo como molde para essa nova Sabrina Spellman. Os outros participantes também não ficam atrás, as tias Hilda (Lucy Davis) e Zelda (Miranda Otto), o primo Ambrose (Chance Perdomo), os mortais Rosalind (Jaz Sinclair), Susie (Lachlan Watson) e Harvey (Ross Lynch) e outros, ajudam a tornar a narrativa mais interessante. 


(Foto: Reprodução/Netflix)

A série é bastante feminista em alguns momentos, como na criação do Wicca, ou Magia, - um grupo para ajudar meninas que sofreram algum tipo de assédio ou abuso na escola - e aborda as questões LGBT com bastante naturalidade. Ambrose, primo de Sabrina, tem sua homossexualidade retratada de forma muito comum e Susie, que ainda não se sabe se é uma pessoa trans, muitas vezes chamada de menino por outros garotos, também é retratada de forma muito natural.

Sobre a personalidade de Sabrina, ela é uma adolescente bem forte, segura, e determinada, que como qualquer adolescente tem suas questões e dúvidas - que no caso dela são mais intensas por ter que escolher entre o mundo mortal e o bruxo. A Spellman tem uma certa soberba ao achar que pode resolver tudo, que vai derrotar o Dark Lord e etc, que faz com que em alguns momentos ela tropece e cometa algumas falhas, ressaltando seu lado humano. A soberba e teimosia da meio-bruxa chega a ser incômoda em alguns momentos, mas nada que comprometa muito o resultado final. 

A série é muito bem amarrada e, diferente de Riverdale, não tem uma pegada tão teen, aumentando assim o seu poder de alcance para novos públicos. Se os produtores conseguirem manter esse ritmo e conexão entre os episódios, a segunda temporada, tão aguardada pelos fãs, tem tudo para ser bem aceita - assim como a primeira. As expectativas para essa parte 2 estão bem altas e esperamos que elas sejam atendidas. Get ready, witches, pois em abril de deste ano nossa meio-bruxa favorita estará de volta com novas aventuras.


Praise Satã!

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