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A música pop ocidental têm andado abraçada com os ritmos e estéticas latinas nas últimas duas décadas. De Shakira à Camila Cabello e Kali Uchis, as latinidades sempre foram fundamentais na cultura pop ocidental. Agora, as influências latinas chegam na distante península coreana, onde se mesclam com a música pop da região.


"Senorita", do (G)I-DLE. Créditos: CUBE ENTERTAINMENT (YouTube/Reprodução)

O quarteto feminino Mamamoo lançou, recentemente, o clipe de gogobebe, uma canção sobre sair pra curtir sem medo das amarras sociais. Esse é o último capítulo do projeto Four Seasons — no qual foram lançados quatro EPs, cada qual com sua respectiva cor e focando numa das integrantes — que é todo marcado por uma estética visual e sonora carregada de influências latinas, com direito à guitarras melancólicas e cenários tropicais.




Essas “estéticas latinas”, vistas pelas lentes sul-coreanas, são marcadas por uma ideia de sensualidade malemolente, com movimentos esguios contrastantes em relação ao passos marcados e ágeis do K-pop. Os cenários dos MVs (videoclipes) costumam ser envoltos numa névoa que iluminada por cores quentes contribui para a criação de um clima de mistério, sensualidade e calor, características que acredito serem parte de muitas das danças latinas, a exemplo do agitado frevo pernambucano ou dancehall jamaicano.




Um grupo que se utiliza recorrentemente dessas estéticas latinas é o KARD, um grupo misto que vez ou outro insere elementos do dancehall em suas coreografias. Parte do grupo, inclusive, já participou de colaborações com o boygroup SUPER JUNIOR numa apresentação ao vivo da faixa LO SIENTO, originalmente performada com a participação da cantora americana Leslie Grace — que embora tenha nascido no estado da Flórida, possui ascendência dominicana.




Senorita, do (G)I-DLE, conversa mais com referências ao flamenco espanhol, com uso de metais catchy (a partezinha do trompete é tudooooo), mas o cenário apresentado no clipe poderia ser uma ruazinha em qualquer país latino de influência espanhola, com casinhas coloridas, ruas de chão batido e letreiros neon caindo aos pedaços.




Colegas de profissão têm comentado sobre como o K-pop, às vezes, é de certa forma “americanizado”, no sentido de que ele não se diferencia tanto do pop produzido no Estados Unidos. Esse processo de “latinização estética” do K-pop, é mais um sinal de como a indústria sul coreana está antenada nas tendências do mercado ocidental. Afinal, o K-pop surgiu exatamente como um produto a ser exportado, como uma ferramenta de propagação do Soft Power da Coréia do Sul.
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